Resumo de “A metamorfose” - Franz Kafka

O livro a metamorfose é dividido em 3 capítulos. A 1ª frase já nos dá uma noção geral do que vem por aí:

“Ao despertar de um sonho inquieto, certa manhã, Gregor descobriu que se havia transformado num gigantesco inseto.”


Capítulo I
No 1º Capítulo, Gregor acorda como um gigante inseto. Ele pensa “o que aconteceu comigo?”. Pensa inicialmente que está sonhando, mas logo percebe que não, pois todos os detalhes do seu quarto estavam exatamente como havia deixado na noite anterior.
“Que tal se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa bobagem?”
Mas logo viu que não poderia, por que ele estava acostumado a dormir do lado direito, mas nessa situação cabulosa de inseto, não iria conseguir virar seu corpo.
Desse ponto em diante ele começa a pensar no seu trabalho de caixeiro-viajante, muito estressante e cansativo. Seu chefe é muito exigente e ele trabalha ano após ano, após ano para pagar as dívidas da família e sustentar seus pais e sua irmã caçula. Nessa sua reflexão sobre a vida, fica patente a sua frustração com tudo que o rodeia.
O autor também fala, ainda no 1º capítulo que Gregor sentia, às vezes, quando na cama, dor e mal-estar, que todavia se revelavam puramente imaginários.
Pra ele sair da cama foi um sacrifício, por que suas inúmeras perninhas ficavam balançando no ar, enquanto seu dorso duro ficava na cama. Ele pensa: “antes das sete e quinze eu tenho que estar fora desta cama. De qualquer forma a essa hora alguém da firma já terá vindo à minha procura, pois ela se abre antes das sete”.

De repente, ele ouve o chefe chegar e lança-se abruptamente para fora da cama. Todos, ouvindo um barulho, vão para a porta do quarto de Gregor, pedir que ele abra. Como ele não abre (não por que ele não quer, mas por que está difícil sendo um inseto), seu chefe fala do lado de fora. Diz que antes Gregor parecia uma pessoa tranqüila, e agora, apresenta-se vergonhosamente. Fala também que já há algum tempo o trabalho dele tem sido insatisfatório.
Gregor então despeja uma infinidade de justificativas, pedindo pra poupar seus pais, entretanto ninguém entendia o que ele dizia.
Gregor, com um esforço enorme, conseguiu andar com suas perninhas e abrir a porta, girando a chave com suas mandíbulas.
Todos se assustam ao ver Gregor. Seus pais, apavorados, saem da sala e ele, de dentro do quarto tentava convencer o chefe a deixá-lo voltar para o emprego, mas o chefe virou as costas e se foi. Tentando ir atrás do chefe, não conseguiu, pois ele ainda não sabia usar suas perninhas de inseto e seu pai pegou a bengala e bateu forte no chão, fazendo sinal para ele voltar. O pai falava e falava, mas Gregor só ouvia um som sibilante e horrível e nada compreendia.
Voltou, então para seu quarto, mas ficou entalado na porta (seus flancos eram largos para a porta). Seu pai deu-lhe um empurrão (libertação para Gregor) e fechou a porta violentamente atrás de si.



Capítulo II
Sua irmã, a pessoa que menos o odeia, deixa comida na tigela para ele, mas comida de gente (leite e pão) não é mais apetitoso pra ele. Ela, percebendo que ele não comia, começou a trazer ossos do jantar da noite passada, legumes murchos, queijo vencido, etc. E ele fazia a festa!
Toda vez que entrava alguém no seu quarto, Gregor se escondia debaixo do sofá.
Com o passar do tempo, Gregor ficava a escutar do seu quarto sua família falando sobre seus problemas lá na sala. Como a responsabilidade de levar a família nas costas era toda dele, eles iam ter que dar um jeito: todos arranjaram um emprego.
A nova distração de Gregor era andar pelas paredes e pelo teto e sua irmã logo descobriu isso, pois ele deixava “traços de substância pegajosa onde quer que passasse.
Percebendo a necessidade de mais espaço, sua irmã e sua mãe resolvem tirar os móveis do quarto de Gregor, quando Gregor escapa do quarto. Sua mãe desmaia e sua irmã vai acudi-la, quando seu pai chega e começa a atacá-lo com maçãs, quando uma é enterrada pelo pai nas costas de Gregor, tão forte, fazendo com que ele desmaiasse.

Capítulo III
Gregor ficou invalidado quase um mês e a maçã permanecia incrustada no seu corpo. Ele percebe que as conversas que sua família tem à mesa de jantar já não são tão animadas quanto antes. Ninguém tinha tempo para se preocupar com Gregor mais do que o necessário.
O ferimento nas costas sempre começava a incomodá-lo de novo quando a mãe e a irmã retornavam à sala, abandonavam o trabalho que estavam fazendo e sentavam juntas.
Com freqüência era assaltado pela ideia de que a próxima vez em que a porta se abrisse ele voltaria a tomar a direção dos negócios da família, como sempre havia feito. Cada vez mais sua irmã tinha menos tempo pra ele, deixando seu quarto sujo, limpando-o apenas superficialmente.
Uma faxineira contratada para limpar o quarto ficava cutucando Gregor e o chamando de “velho rola-bosta”.


Gregor quase não comia. Seu quarto virou uma espécie de porão: tudo que sobrava na casa era colocado lá. Um quarto foi alugado para três rapazes para ajudar na despesa.
Certa vez a faxineira esqueceu a porta semi-aberta, e assim permaneceu até a hora da ceia. A irmã de Gregor, após a ceia, começou a tocar violino e ele, encantado, começou a sair do quarto, mas inicialmente ninguém se deu conta dele, quando de repente:
– Senhor Samsa! (Flagrado!)
Um inquilino viu Gregor. Ao mesmo tempo em que o pai de Gregor tentava empurrar os inquilinos para seu quarto para evitar que vissem Gregor, queria empurrar Gregor para dentro do quarto.
Todos ficaram assustados. A irmã gritou:
– Precisamos nos livrar dele! Essa criatura irá causar a morte dos dois!
E desabou a chorar:
– Aquela coisa que está ali não é Gregor! Se fosse, já teria compreendido há muito tempo que seres humanos não conseguem viver com semelhante criatura e teria ido embora por iniciativa própria!
Gregor voltou para seu quarto e mal entrou no quarto a porta bateu atrás dele.
E agora?
A maça nas costas já estava apodrecida. A dor foi diminuindo até desaparecer. E no completo escuro, pensou com amor na sua família, até pela manhã, quando, por conta própria, tombou a cabeça e de suas narinas escapou seu último fôlego de vida.
No outro dia a faxineira descobriu seu corpo no chão e correu pra avisar toda a família. Seu pai deu graças à Deus e todos fizeram o sinal da cruz.
A família passou o dia descansando e passeando pelo campo, num cálido sol, fazendo planos para o futuro e pensando em procurar um bom marido para sua filha, que agora possuía um belo e jovem corpo.


Trabalho apresentado no 3º semestre do curso de Psicologia da Univale à professora Valéria Amaral Chequer, da disciplina de "Teorias Humanistas e Existencialistas". Todos os direitos reservados a Odacyr Roberth.

13 comentários:

  1. Odacyr,

    "TÚ É ABUSADO!!!"

    Gostei da coragem de resumir A Metamorfose!!!! Este livro é - como diria o profeta - F-O-D-A!!!

    Mudou a minha vida (lógico que estou exagerando), mas - falando mais seriamente sobre o assunto - me deixou estremamente perturbado, o que era a principal motivação de Kafka.

    Sobre este assunto, até coloquei uma frase atribuída à ele em meu blog:

    “Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banidos para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós”. - FRANZ KAFKA

    Paralelo a isso, sugiro que você leia minha interpretação à ele (o livro), que se encontra em: http://superjotablog.blogspot.com/2010/07/acabei-de-ler-metamorfose-de-franz.html

    Abração! (e já estou te seguindo...)

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  2. Obrigado João (eu acho). Eu não consegui captar a real motivação de Kafka ao escrever este livro. Eu penso, de mim, que era uma espécie de revolta grande contra esse sistema econômico e social que persiste até hoje. Às vezes também me dá nojo ver as pessoas trabalhando, ano após ano, vivendo a mesma vidinha medíocre de sempre, cuidando de uma ou outra pessoa e nunca mudando. O ser humano foi feito para experimentar o novo a cada dia. Se as suas sensações não se renovam, você acaba por ter que buscar um mecanismo de fuga, o que eu acho que o Gregor fez.

    Livros como este fazem o ser humano pensar "é essa vida que eu quero pra mim?", "eu quero mesmo, estudar, trabalhar, viver na sociedade ou isso me é imposto arbitrariamente?" Dentre muitas outras questões que eu levantei e me permiti me conhecer melhor.

    Vou agora visitar seu blog. Abração...

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  3. AAAHHH esse livro é maravilhoso!!!! Preciso comentar sobre ele!
    Para entender o livro por completo, tu precisas conhecer realmente a história do Kafka, Carta ao Pai dá uma breve explicação.

    Falando pelo lado literário, o livro é um tanto 'autobiográfico', digamos... Nele há elementos simbológicos, precisas saber um pouco sobre isso para poder identificar quais são esses elementos e o que eles significam, mas creio que não seja essa sua área.. O livro, no fundo, não se refere a um conceito econômico ou social, mas ao próprio kafka: ele é a criatura [a criatura não é uma barata, ok? no livro não é citado que animal ele é ] ele é o desprezado, ele é o fracasso, ele é tudo de ruim que alguem poderia ser, até mesmo um peso de papel tem utildade, mas ele - Kafka - não, alem de fazer uma breve alusão à folga das pessoas que não deixa de ser a folga do próprio Kafka; uma folga misturada com desespero...
    Enfim.. não vou te entregar a história, leia novamente e pesquise mais! =P

    Poxa.. eu poderia escrever por horas sobre esse livro e o que ele representa, dar todos os detalhes, até os mais profundos sobre a história... Seria uma escrita altamente filosófica, depressiva, destrutiva e esperançosa...

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  4. Na verdade essa foi a reflexão que nós levamos para a sala de aula. O que há de mais vil e podre em como a inutilidade humana é percebida e o que há de mais aproveitador quando se é útil para alguma coisa. Gregor era O cara quando levava a família nas costas (morreu com a dor da "maçã" nas costas). Após sua "panela de pressão" explodir, refugia-se na figura de um inseto, um ser completamento inútil que todo mundo odeia. Por que todo mundo odeia? Por que não serve mais para nada. E o bom do livro é que ele tem várias interpretações e por isso pode ser explorado tanto num contexto autobiográfico quanto econômico ou social.

    Abraços, Shag!

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  5. Li vários resumos,até que deparei-me com o seu.Encheu minha alma,completou o livro!
    Obrigada,continue na lida.

    Com carinho,
    Ana.

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  6. Obrigado Aninha! É gratificante saber que o meu trabalho agrada a leitores como você!

    Beijos!

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  7. Minha professora passou pra gente ler, li 6 paginas e ODIEI assim como todos, então estou lendo uns resumos pq sinceramente o livro não vou ler

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    1. O livro é beeeem viajado. Para gostar dele, tem que gostar de viajar também, nunca ler o que está escrito, mas o que está nas entrelinhas...

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  8. Já li. Péssimo. Um dos piores livros que já li. Desculpe-me de não compartilhamos da mesma opinião.

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    1. Quê isso, cara... não precisa se desculpar por discordar de mim. Tem gente que adora "Crepúsculo" tem gente que odeia. É assim mesmo...

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  9. Obrigado esse resumo e show de.bola. eu tenho um trabalho de escola e o tempo e muito curto nao da para ler e esse resumo ajuda obrigado

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  10. o seu resumo esta excelente eu li o livro e gostei muito do livro claro que o livro e meio complexo mais e assim que e bom!!!

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